corta o beque, faz a finta, olé!


Saí no carro número três da Vai-Vai na madrugada de sexta-feira. Eu era um dos bonecos pendurados por fios que se estendiam dos dedos ríspidos do grande Ditador. Os outros bonecos eram os meus amigos e integrantes do Grupo XPTO. Nós dançamos vários personagens diferentes que apontam setores da estrutura social brasileira, como operários, políticos, professores, índios, padres e jornalistas.

Eu ainda não conhecia a animação contagiante da avenida e as suas contraposições. O que eu sabia de carnaval tinha comprado da televisão e das marchinhas de rua, regadas de bebidas e confetes. Fiquei maravilhado com a dimensão dos carros, o montante de dinheiro investido e a importância cultural que as escolas de samba têm para as comunidades que representam.

Mas também vivenciei sua face oculta. O carnaval é uma maquiagem de felicidade nos rostos de um povo cansado. É talvez um instante de dignidade e pompa para camadas sociais que lutam diariamente para sobreviver num país cada vez mais difícil e sucateado por grandes corporações. Essas pessoas, num estalo mágico, trocam ônibus lotados por carros cheios de purpurina e dragões gigantes. Além de serem o foco de atenção de toda mídia do país. Não é fantástico?

É sim. É fantástico participar desse evento e compartilhar dessa pílula fabulosa. Não há como descrever a sensação dos bafos quentes das platéias que vibram e cantam esbaforidas com a passagem das Escolas. É tudo tomado por uma energia desconhecida, sublime e, se assim posso dizer, participamos de um ritual onde nossos pulsos estão em sintonia. O carnaval torna-se uma alegoria de si mesmo. Talvez essa coisa toda seja uma representação diferente do sentido literal que ela contém em si mesma. Talvez o sentido de carnaval ainda esteja pra ser descoberto.

Hoje eu acho que o carnaval é uma carnavalização da tristeza e se auto-representa numa tentativa explícita de descobrir novas formas oníricas de encantamento e ruputuras com o mundano, além de investigar a materialização dessas felicidades utópicas.

O carnaval não é, será.

 
Nos ensaios.


 
Pouco antes do desfile esquentando com a gostosa da Bia.


 
O nosso carro no recuo.

1 comentários:

Anônimo disse...

Corta o beque, faz a finta Olééééééé
Majestade soberana Pelééééééé
a voz do povo que ecoa da favela é Mandelaaaa

o mundo foi jogando n retranca
futebol a unica esperança.....

ahahahah só lembro essa parte !
ae ! depois acha ruin que te chamo de pançudo ! =P
ahahah tava massa ! =)
Parabéns ! ;D
Ric

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